A Criação

1003564_712670268744901_2092598148_nGênesis 1, 27: “Criou Deus o homem e à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou”

Vivemos em relação: de pai e filho, marido e mulher, relação de namoro, trabalho, gravidade, através redes sociais… Estamos sempre “entre” coisas, “entre” experiências. Experiências e coisas que nos atravessam, mas não nos anulam. Somos o que somos e vivemos o que vivemos porque estamos em relação, há um “entre” nós.

Com isso, temos uma primeira estrutura que precisa ser levada em consideração para darmos significados às palavras e às nossas experiências: um espaço “vazio” e necessário entre o Eu e o Outro, entre eu e o próximo. Se não pensamos a fundo nisso, levaremos o Outro como “parte de nós mesmos”, e não como outro completamente Outro.

Nossa relação é com a diferença. Eu sou eu, e o Outro é outro completamente Outro. Entre nós há uma relação. Há diferença. Não somos todos uma mesma coisa, num mesmo lugar. Nossos desejos são diferentes, nossa medida é diferente, somos diferentes, somos Outros. Podemos ser Próximos, mas nunca os mesmos. Aqui já deve ter pintado um significado novo para “o Próximo”: o chamamos de próximo porque nossa experiência com ele é de proximidade, uma relação que se aproxima, mas nunca é “a mesma coisa”, das mesmas pessoas, igual.

O Eu não pode considerar o Outro como parte dele mesmo. Se é uma parte de mim, minha extensão, não estou me relacionando com alguém Outro, mas comigo mesmo. Não há nada “entre” nós, não há o espaço “vazio”. Uma relação precisa da diferença entre um e outro, entre o Eu e o Outro. Mesmo que não percebamos a diferença, ela acontece. Mas, quando percebemos, nos sentimos culpados: nos sentimos maus e males. Quando tomamos consciência da diferença entre nós, do vazio que precisa ser percebido entre o Eu e o Outro, notamos que muitas vezes passamos por cima dela, que preenchemos o vazio, que nos tornamos os donos do mundo e nos relacionamos com nós mesmos, nunca com os outros. Nos experimentamos como egoístas, individualistas, dominadores e conquistadores.

Quando Deus cria o homem à sua imagem e à imagem Dele o homem é criado, vemos a “construção” do homem por duas vias: na ação direta e na passividade de Deus tensionadas. Em uma frase, Deus é o Criador, na outra Ele é modelo. Há uma diferença. Abre-se um espaço “vazio” entre Deus e o homem. Sem esse espaço “entre”, não haveria possibilidade de relação. Nos relacionamos com Deus porque há uma diferença entre nós e Ele, porque Ele é Ele e o Homem é o Homem. Um não é o outro…

Bruno Reikdal Lima

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