Graça

1016446_470508449741909_2045078186_nGênesis 1, 27; 2, 23; 3, 7: “Criou Deus o homem e à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou […] Disse o homem: ‘esta sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada’ […] Os olhos dos dois se abriram e perceberam que estavam nus.”

Nos encontrarmos com o Outro, perceber que a vida não está sozinha e deixada por ela mesma: ela está em relação, ela é relação. Se olharmos para frente, não veremos o sentido além desse que está diante dos olhos. Mas, se encontrarmos o Outro, nos percebermos em relação, com um espaço “vazio” entre nós, experimentamos o inexplicável, o misterioso: uma vida que está para além da nossa. “Há tanta vida lá fora…” E a experiência com essa vida transcendente, este que vem a nós e está para além de nós, nos entrega uma infinidade de sentidos: a eternidade, o infinito. Na relação de amor com o Outro o infinito se faz presente. A graça, o mistério maravilhoso da graça…

Abrimos mão do controle, abrimos mão do domínio: desejamos a “eternidade”, essa experiência infinita de amor, de relação Um com Outro. Queremos que ela continue… Deus quer que ela continue. Por isso se entrega, por isso deixa o passado para trás, nos adverte para não fixarmos o olhar no futuro e nos pede para que coloquemos os pés no chão e os olhos ao encontro dos olhos do Outro. A relação, o entre nós e Deus, relação pura de amor, nos ensina que a Graça faz de tudo para que a vida continue, que é o mistério da entrega e da liberdade, do silêncio e do perdão. É desejo de Deus que a relação se mantenha, que a vida seja eterna. É desejo do Pai que vivamos assim como Ele: em relação, em diferença, em amor, pela Graça.

Somos salvos pela Graça, pois dela brotam os infinitos sentidos que possibilitam a vida. O olhar para o horizonte aponta um único sentido: o próprio horizonte. Mas o olhar para o Próximo, o encontro com o Outro, amplia os sentidos à eternidade. Nos perguntamos sobre o sentido disso tudo quando não experimentamos a Graça enquanto olhamos para frente, para o horizonte, por cima das cabeças dos demais. Mas, quando nos permitimos (e precisamos aprender a nos permitir) baixar nossas cabeças e encontrarmos os olhos dos Outros, a ausência de horizonte é suspensa por um segundo. Não precisamos mais de um sentido para tudo isso, pois tudo isso não cabe na infinidade da experiência da Graça, da relação entre Um e Outro…

Essa relação desperta nosso desejo, nossa vontade de viver a experiência da Graça sempre. Desejo pelo amor, desejo pelo Outro…

Bruno Reikdal Lima

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