A teologia que se esconde na gente

charles-darwin1Max Horkheimer utiliza a Teologia como uma ferramenta de interpretação de discursos e da história. Não é um estudo da ou sobre a religião, mas um instrumento de análise. Assim como ele, usei essa ferramenta no período das eleições do ano passado para escrever esse texto:

Tem um texto sendo compartilhado no facebook que apresenta a vida dos candidatos à presidência, convidando o leitor a julgar qual trajetória lhe parece politicamente mais pura. Transferimos a função teológica de Deus na tradição do “julgamento final” para nós mesmos. Não alteramos a teologia: apenas mudamos os atores.

Proponho, experiencio e defendo uma teologia que não aceita a tradição de “julgamento final”. Não seríamos julgados por Deus por nossa vida passada, pecados e erros e colocados ou no Céu ou no Inferno. Não seríamos “eleitos” pelo passado. Pois creio e proponho uma teologia que analise à partir das relações entre Um e Outro, e não a trajetória isolada e egoísta de um indivíduo. A teologia que utilizo para interpretação parte do dogma da conversão eterna, não do julgamento final.

A maneira como nos relacionamos com a história, com a política, com o próximo, etc, mostra qual teologia utilizamos ou em qual dogma cremos. Mesmo não religiosos, nossas análises tem estruturas teológicas que precisam ser analisadas e trabalhadas. O peso do julgamento à partir do passado e a medição da “pureza” é uma estrutura teológica e precisa ser trabalhada. Não consigo utilizar essas estruturas: minha proposta teológica é de análise relacional, levando em conta experiências atuais e atualizadas, relações constantes e possibilidade de conversão e mudança inesperadas. Com isso, Deus não pesa o julgamento final, mas trabalha em relações constantes e constantemente: entre nós, entre Um e Outro.

Se eu for votar, votarei “13”. Esse texto não é para defender candidato x ou y, mas para pôr em questão a teologia que justifica, legitima e propõe determinada experiência ou outra: de julgamento à partir do passado ou de relações “entre”.

Além disso, a guerra mais simples, suja e tosca de ideologia é a de tomar o passado para si mesmo. Ideologia que nos rouba de viver a vida contemporaneamente nos escondendo atrás de um discurso de pureza. Há teologia escondida na gente, e ela não deveria ser ignorada, mas trabalhada constantemente para resolução de problemas, para abrir a possibilidade de mudança (conversão).

Bruno Reikdal Lima

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