Hegel: na China sobra, no neoliberalismo falta

1348491727_jpeg-14785C00C0F4D9DE-20100114-img_38541336_2143868_1_dpa_Pxgen_rc_308xA,308x171+0+30Na aula de Política Internacional sobre os BRICS, discutíamos sobre a China e suas peculiaridades e diferenças que nos impedem de utilizar aparatos tradicionais para análises (sejam políticas, econômicas, etc)

Graças às contribuições da galera e o rumo das conversas, percebi a importância da afirmação de Slavoj Žižek de que é necessário voltarmos à Hegel. Diferente dele, não vejo essa necessidade quanto a retomarmos suas propostas, mas perceber como a filosofia hegeliana pode ser uma chave – ou funciona como medida, divisor de águas – para o entendimento do que tem acontecido por aqui:

Os jovens hegelianos contra os velhos hegelianos, os reformadores e os revolucionários: a leitura de Hegel sempre abriu oposições. Criaram escolas diferentes que na tradição nunca se deram muito bem. Mas na China, não: ela abarca dos “dois Hegel’s”. Na China sobra Hegel e sua filosofia da História. Enquanto isso, no “Ocidente”, a manutenção do sistema pede o “fim da História” (ou como Rorty analisa: “o fim da filosofia da História”), o abandono de Hegel…

A doutrina neoliberal reclama o “fim da História”, o limite de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, a superação de sua proposta. Muito tem a ver com a ideia de um sistema poder se autoproclamar “neutro”, sem nenhuma ideologia. Se ideologia é tomada como a explicação da História, a apropriação do passado (quem consegue impor sua contação de História, se torna ideologia dominante), o “fim da História” significaria a instauração de uma época Pós-Ideológica. Seria a possibilidade de crermos que a manutenção do sistema atual é o cálculo meio-fim possível e que nos direciona para o melhoramento do mundo. A manutenção do sistema atual é o único caminho viável e neutro, “sem ideologia”.

Mas, para a infelicidade dessa proposta, não necessariamente estamos no “fim da História”, pois nem todos cremos nisso. A China, por exemplo, não abandona a filosofia da História hegeliana. Ela consegue abarcar não apenas um Hegel (revolucionário), mas os dois (o reformador também cabe). Faz parte de sua estrutura tanto uma revolução constante que visa o grande momento do “golpe final”, como a manutenção e reformação da revolução que já aconteceu, tomando a mesma como o próprio “golpe final” que não exige a continuidade do desenvolvimento do Espírito na História.

De qualquer jeito, na China a História não é abandonada, mas estendida: ainda há muito à frente. “Paciência é uma virtude” e “ambiguidade não é contradição”. Seja a revolução ou a reforma, na China há a proposta política de dialética constante: revisões e sínteses que não temem novas oposições e contradições.

Assim, vemos um problema em que Hegel é chave: para uns é necessário abandonar e superar sua proposta, crendo em sua falência, e para outros é necessário o Hegel inteiro e intacto: crê-se que a História e a proposta hegeliana é mais que viva.

Hegel se torna uma boa ferramenta de análise. Não tenho como afirmar o que é melhor como proposta: abandonar ou abraçar por inteiro. O que me interessa e que possibilitou essa análise é a preocupação que tenho sobre o significado de ideologia. Será que realmente é necessário que ideologia seja entendida através da explicação da História, “apropriação do passado”? Imagino que não. Mas para a proposta de resignificação, o caminho é outro…

Bruno Reikdal Lima

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