Responder ou repetir

ABA1997023W00031/36Se existe uma coisa que nos acostumamos a fazer, essa uma coisa é discutir sobre “problemas atuais”.

Redes sociais, debates escolares, palestras universitárias, telejornais, reuniões religiosas e, inclusive, encontros esportivos, escolhem como pano de fundo o propósito de se expor uma questão cotidiana, um “tema” que nos aflija ou provoque angústias – fome, miséria, direitos humanos, crises ecológicas, crises econômicas, crises políticas, espiritualidade, religião, preço do pão ou até mesmo reality shows. Os reflexos desse hábito são nossas conversas dia-a-dia: corremos informações sobre essas questões e propomos algum tipo de resposta, escolhemos uma postura de como nos relacionaremos com o problema.

Também faz parte de nosso costume esperar pela novidade, pela solução ainda não vista, talvez ainda nem pensada. Esperamos. Ao mesmo tempo, exigimos da juventude engajamento e propostas inovadoras – às vezes em moldes bem antigos. Nesse processo, enquanto esperamos pela novidade e exigimos o engajamento, nem o “recente”, nem o “velho” e nem o “novo” parecem conseguir estabelecer uma postura engajada aliada a uma resposta inovadora. Nos acostumamos tanto a fazer, que parece termos nos perdido em nossas perguntas e não sabemos para onde estamos indo, se conseguimos encontrar respostas ou se repetimos a canção de Belchior: “nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não! […] ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

De qualquer modo, precisamos escolher uma postura. Precisamos decidir para onde, como e com quem queremos viajar rumo aos problemas do dia-a-dia. O hábito de discutirmos temas – que, na verdade, são de fato problemas – contemporâneos, não necessariamente tem nos auxiliado a decidir caminhos, confiar em uma resposta. Ficar inerte ou se mover são posturas que podem e devem ser tomadas. Tirar um tempo para conversarmos, compartilharmos da caminhada, dividir corações, expressar a espiritualidade, as alegrias, esperanças e angústias, é necessário. Se vamos ficar parados ou nos mexer, precisamos escolher: “responder ou repetir?”

Bruno Reikdal Lima

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